8 de set de 2016

Ministro Mendonça Filho diz que resultado do Ideb é uma "catástrofe" para os jovens e propõe urgência na votação do projeto de reforma do ensino médio

O ministro da Educação, Mendonça Filho, apresentou os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira. Entre os níveis de ensino avaliados – anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio -, o ensino médio é o que apresentou os resultados mais baixos. Apenas quatro estados cumpriram a meta do Ideb na rede estadual. “Os resultados são uma catástrofe para nossa juventude. A reforma no ensino médio é urgente e vamos pedir urgência na tramitação do PL nº 6840/2013, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG)", anunciou o ministro.


Mendonça Filho disse que já passou da hora de oferecermos uma solução adequada para a educação dos jovens. A mudança é tão urgente que o ministro afirmou que, se preciso, irá recorrer ao presidente Michel Temer. "Se por ventura a apreciação do projeto não se dê ainda neste ano, vamos sugerir ao presidente Michel Temer que seja editada uma Medida Provisória. Não se pode ficar passivo aguardando o próximo ano", disse o ministro. Ele reforçou que é necessário que essas mudanças sejam votadas ainda em 2016, para que possam ser implementadas em 2017.

Metas e números – O Ideb é um indicador que relaciona o desempenho dos alunos com dados de fluxo escolar. O estudo é realizado a cada dois anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e avalia alunos do Ensino Fundamental da rede pública e do Ensino Médio de escolas públicas e privadas.
Segundo o estudo, o índice alcançado por alunos do ensino médio está estagnado há quatro anos, sem qualquer evolução. O indicador está em 3,7 desde 2011. Além disso, desde 2013, está abaixo da média estipulada pelo Ministério da Educação. Neste ano, apenas dois estados cumpriram a meta: Amazonas e Pernambuco. Em 2013, a meta era 3,9 e, no ano passado, 4,3. "São índices absolutamente vergonhosos para o Brasil. É uma tragédia para a educação do país", resumiu o ministro.

Para o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, “os dados mostram que o problema não é só da escola pública, porque as escolas privadas também vão mal. É preciso mudar o modelo de ensino médio que temos hoje”.

Considerando ainda os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), braço do cálculo do Ideb, o desempenho em Matemática é o pior em uma década.

Em relação ao ensino fundamental, o índice mais satisfatório foi o dos anos iniciais (1º ao 5º ano), já que a meta de 5,2 foi superada - ficou em 5,5. Mas, na avaliação do MEC, os alunos seguem com deficiências em Português e Matemática também nos anos iniciais do ensino fundamental.

Ainda de acordo com o Ideb, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, as redes não atingem a meta desde 2013. Em 2013, o objetivo era alcançar o índice de 4,4 mas chegou apenas a 4,2. Em 2015, ficou em 4,5, quando a meta era 4,7. Nesta faixa, a maioria das unidades da federação ficou abaixo do esperado. Apenas os Estados de Pernambuco, Amazonas, Mato Grosso, Ceará e Goiás conseguiram bons resultados.

Os dados do Ideb e Saeb estão disponíveis na página do Inep: