5 de out de 2016

Pacientes com hanseníase ganham ambulatórios de referência

Iniciativa é da Região Centro-Sul de Saúde. Em 2015, foram notificados 214 casos da doença no Distrito Federal


A criação de um novo fluxo de atendimento para pacientes com hanseníase na Região Centro-Sul de Saúde tem ajudado médicos a descobrir novos casos com mais rapidez e oferecido um tratamento mais cômodo a quem já descobriu a doença.


Antes, os pacientes com suspeita de hanseníase na região eram encaminhados para o Hospital Dia, na 508 Sul. Agora, os casos podem ser descobertos nos centros de saúde e acompanhados em ambulatórios de referência no Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Candangolândia. Mais comodidade para os pacientes, que podem ser atendidos perto de casa, e uma forma de diminuir a demanda para a unidade da Asa Sul, que recebe pessoas de todo o DF.

"Em julho fizemos um treinamento com médicos e enfermeiros, para que pudessem identificar, em consultas nos centros de saúde, sinais que possam haver suspeita de hanseníase. Para exames mais completos, o paciente é encaminhado para um dos ambulatórios de referência e, confirmando o caso, é notificado e volta para fazer o tratamento no centro de saúde próximo de casa", explica a chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da região, Rosimeire Brandão.

Somente o ambulatório de hanseníase do Núcleo Bandeirante, que funciona no Centro de Saúde 2, aberto há um mês, já descobriu cinco novos casos. "Nós, que participamos do treinamento em julho, ganhamos um olhar clínico para identificar a hanseníase. Antes, uma manchinha passava desapercebida. Hoje a gente já desconfia e faz exames mais completos", conta a enfermeira Wanessa Cabral.

Um desses casos foi o de Josenilda dos Santos. Encaminhada para o ambulatório do Núcleo Bandeirante, passou por testes de sensibilidade e outros exames e descobriu a hanseníase. "Quase não dá para ver a mancha no braço. Ainda bem que tem esse serviço aqui. Já sai daqui medicada e com a complementação do tratamento para ser feito em casa", conta.

Como a forma de contágio da doença é por via aérea para pessoas que convivam por cerca de oito horas diárias com o doente, o ambulatório também faz o exame com os familiares dos pacientes. "Com isso, a gente evita que a doença se prolifere", alerta o médico Patrick Damasceno.

DOENÇA – A hanseníase tem cura. Ela é uma doença crônica, contagiosa, que atinge pele e nervos periféricos, e causa manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, com sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque. É normal também ocorrer sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades, surgimento de caroços e placas em qualquer local do corpo e diminuição da força muscular.

O tratamento pode durar de seis meses a um ano, é gratuito na rede pública de saúde e feito via oral com uma associação de medicamentos que evita a resistência do bacilo. Ao iniciar o tratamento, o paciente já não transmite mais a doença.

No DF, os últimos dados são de 2015, quando 214 casos foram notificados. A maioria deles, em Ceilândia (30). Na Região Centro Sul, local onde foi implantado o fluxo de atendimento de hanseníase, há notificação de 20 casos.

Em todo o pais, estima-se que 30 mil novos casos sejam registrados por ano, o que corresponde a uma média de 15 pessoas contaminadas a cada 100 mil habitantes. Isso coloca o Brasil como único país no mundo que ainda não alcançou a meta da Organização Mundial das Nações Unidades (ONU), para hanseníase em 2015.Um país é considerado em processo de eliminação da doença quando atinge o nível de dez novos casos a cada 100 mil habitantes.


Por JDF Brasil / Com informações da Assessoria de Imprensa Agência de Notícias